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2019-06-07
Tomar as rédeas da esquizofrenia com a ajuda de uma app
"Rute, uma utente que testou a aplicação Wecope, diz que é uma "rampa de lançamento para a recuperação"" "Incentivar as pessoas com perturbações psicóticas, como a esquizofrenia, a serem mais activas no seu processo de recuperação. É essa a missão da Wecope, uma aplicação móvel pensada no doutoramento da terapeuta ocupacional Raquel Simões de Almeida e programada por alunos e docentes do Instituto Superior de Engenharia do Porto. O objectivo é "dar independência aos utentes, sem lhes retirar uma rede de segurança", explica a autora da ideia: "Queremos trabalhar o "empoderamento" das pessoas que se encontram numa fase em que já possuem algum nível de autonomia. Porque elas sentem que, apesar de terem um técnico disponível, ao utilizarem a aplicação podem ir resolvendo as questões que vão surgindo no dia-a-dia, referentes ao seu problema de saúde mental." Mas a Wecope não pretende isolar o doente no longo caminho da recuperação. Aliás, caso tal fique acordado entre o utente e o profissional que o acompanha (terapeuta, psicólogo ou psiquiatra), todas as informações inseridas na aplicação são transmitidas ao técnico em tempo real. O que pode mesmo evitar situações de risco. "Estamos a falar de doenças crónicas, em que se pode estar bem num momento e depois ter-se uma recaída. E a aplicação pode ajudar a identificar atempadamente estas situações", diz Raquel Simões de Almeida. E acrescenta: "Se eu tiver a informação de que um determinado utente está a ouvir muitas vozes, eu posso contactá-lo, entender o que se passa e marcar uma consulta. Ou quando a pessoa se sente muito ansiosa, pode usar o modo de relaxamento da app. E se quiser colocar uma questão acerca da medicação, pode enviá-la pelo chat ao seu técnico. As várias funcionalidades da Wecope não vão substituir as consultas, mas podem ser um suporte que ajude as pessoas a estarem na comunidade e a serem mais independentes." Uma das funcionalidades da app é dedicada à monitorização de sintomas. Lá, o utente escreve acerca das alucinações auditivas, especificando, por exemplo, quando e onde ouviu a voz, se o incomodou, que estratégias usou para lidar com a situação e se resultaram ou não. "Basicamente, [serve para] desconstruir e reflectir sobre tudo o que está relacionado com aquela voz para que a pessoa, conscientemente, perceba que é um sintoma e entenda que consegue lidar com a situação", afirma a terapeuta. Através de outro módulo disponível, o da resolução de problemas, o utilizador pode apresentar uma situação que está a condicionar o seu bem-estar - como "perdi o autocarro" ou "discuti com um familiar" - e responder a uma série de questões, por etapas, que o ajudam a encontrar a solução mais vantajosa. Isto porque "a resolução de problemas é uma área em défice nas pessoas com algum tipo de perturbação psicótica", explica a terapeuta. Para relaxar em tempos de maior ansiedade, o utente pode ouvir vários áudios de técnicas de relaxamento disponibilizados. Segundo Raquel de Almeida, a funcionalidade que permite delinear objectivos é uma das "mais importantes". "No processo de recuperação é fundamental que a pessoa defina objectivos porque este processo tem muito a ver com a mudança. E ao definir um objectivo na aplicação, o utente está a comprometer-se com esta mudança", assegura. Também é possível utilizar um chat desde que haja acesso à Net, em que os utentes podem trocar mensagens com o seu técnico sobre questões relativas à medicação ou até em momentos de crise. Mas é uma funcionalidade com limites. "Apesar de haver o contacto directo e gratuito entre o profissional e o utilizador, o modo de articulação de horários deve ser discutido previamente."" fonte: https://www.publico.pt/2017/10/10/jornal/tomar-as-redeas-da-esquizofrenia-com-a-ajuda-de-uma-app-33414018



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